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03 de Setembro de 2010 às 00:01

“Me chama que eu vou...” roubar sua cidade!


No site da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul — http://www.al.ms.gov.br/default.aspx?tabid=158 — o então deputado pelo PDT, Ari Artuzi, ao exercer seu segundo mandato, era assim apresentado:

“Ao chegar a Dourados, oriundo do interior do Rio Grande do Sul, o objetivo de Artuzi era trabalhar e ajudar seu tio na serraria de propriedade da família. Não existia por parte de Artuzi o interesse de ingressar na Política, mas ao ver o trabalho social realizado pelo seu tio Dioclécio Sucupira, que foi vereador em Dourados por dois mandatos, iniciou sua atividade social transportando, nas horas vagas, doentes para tratamento médico, em uma Belina, e pilotando uma camionete com que fazia mudanças para as pessoas que não podiam pagar o transporte.”

E o relato prosseguia, revelando o crescimento de um forte desejo interior em Artuzi:

“A partir daí sentiu a necessidade de algo maior, e percebeu que seria mais útil se tivesse um cargo público. Candidatou-se a vereador no ano de 2002, tendo sido eleito com mais de 1,5 mil votos. Com apenas dois anos de mandato ajudou os mais necessitados e colocou à disposição da comunidade vários veículos, entre eles uma Van que em 2007 foi substituída por um utilitário de 16 lugares, zero quilômetro. No veículo está colocada a frase ‘Me Chama que eu Vou’, lema que o deputado carrega no seu dia-a-dia de trabalho.”

E assim foi... Um começo tão interessante, que me deixou ressabiada. Entre a descrença total nas boas intenções do moço e um tênue fio de esperança, cheguei a pensar que suas ações acabariam se revelando prioritariamente assistenciais, que o jovem político daria o melhor de si para sanar as dificuldades de transporte dos que o elegeram prefeito de Dourados, que melhoraria as condições de saúde do município — e “ponto final”.

Não foi nada disso que aconteceu: há pouco mais de um ano, o jovem prefeito Ari Artuzi saiu (quase) ileso da operação “Owari” (“ponto final”, em japonês) da Polícia Federal. Mas nesta semana um furacão se abateu sobre Artuzi, levando-o para a cadeia juntamente com as imagens da sua velha Belina, sua van e 27 “utilitários” bem reais, de carne e osso (a “primeira dama”, o vice-prefeito, nove vereadores — incluindo o presidente da Câmara Municipal —, quatro secretários municipais, cinco funcionários da prefeitura, o procurador-geral do município e seis empresários). O evento metereológico saneador foi outra operação da Polícia Federal, a “Uragano” (“furacão”, em italiano).

Dourados... A pobre Dourados que sonhava em ser conhecida como “cidade universitária”, hoje é notícia até na BBC de Londres — http://www.bbc.co.uk/news/world-latin-america —, sem contar os vídeos postados no YouTube que mostram Artuzi recebendo propina (assista um deles aqui).

Uma cidade dilapidada, Dourados está convertida em arena de vale-tudo, terra de ninguém. Não sei como será possível sanear os cofres públicos. Parabenizo o valente jornalista Eleandro Passaia, recém-nomeado Secretário de Governo de Artuzi, que procurou a Polícia Federal e colocou sua cabeça a prêmio para coletar as provas dos desfalques em licitações da prefeitura e outras irregularidades.

Irregular! Uma palavra quase cândida, até ingênua quando comparada com o descaso com a saúde, com a vida dos douradenses. Por vezes não acredito que exista tamanha ignorância entre os eleitores que votam em Artuzis. Também, com a quantidade de analfabetos funcionais e a deseducação reinante, não é de estranhar que isso aconteça. A ignorância transforma o cidadão em presa fácil dos oportunistas, carreiristas e ladrões. A educação, por sua vez, abre os olhos, faz pensar... Um eleitor que não é manipulado, nem comprado por “gentilezas”, que sabe ler e escrever e ENTENDE o que lê, é um eleitor perigoso, perigosíssimo: ele escolhe de fato em quem vai votar. O meu sonho é um dia ver Dourados ser muito mais do que uma “cidade universitária”... Uma cidade de eleitores conscientes!




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