Se todo o dinheiro do empresário Sizuo Uemura, 65, um dos 42 presos por corrupção nesta terça-feira pela Polícia Federal, em Dourados, fosse tido como suspeito, a investigação respingaria num pedaço da prestação de contas do prefeito Ari Artuzi, do PDT, eleito em outubro do ano passado.
Dos 910 mil investidos em sua campanha, Artuzi recebera duas doações de uma das empresas Uemura, a Via Sul Ltda, concessionária de veículos, somando R$ 35.354,00, segundo informações da prestação de contas disponível no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A fortuna de Uemura, cujo valor não fora revelado pela Polícia Federal, ergueu-se de modo tímido, com uma pequena venda de secos e molhados no início da década de 70. Na época já era forte a migração de japoneses para a cidade de Dourados.
O empresário enriqueceu mesmo a partir de 1977, ao inaugurar na cidade uma revendedora de veículos da Fiat, a primeira no Estado. À época, o carro da moda era o modelo 147, já quase extinto nos dias de hoje.
De lá para cá, o sucesso econômico caiu no colo de Uemura, embora seus negócios sempre foram muito reservados. Um deles, o ligado às funerárias, suspeito agora de estar envolvido em esquema de corrupção.
Uemura chefiou por duas ou três gestões a Associação Comercial de Dourados, dada a sua influência política e econômica.
Hoje, o empresário que se encontra preso no prédio da Polícia Federal da cidade, ao lado da mulher e do filho, é um dos mais ricos da região.
Além das funerárias, Uemura é dono de concessionárias de carros, hospital, prédios comerciais bem situados na cidade, e imóveis espalhados no município e também nas cidades vizinhas.