A chuva que veio para amenizar o tempo seco do inverno e frear as doenças respiratórias mais uma vez evidenciou um problema urbano de alguns bairros periféricos da cidade: a falta de drenagem.
Já são 22 horas de chuva na Capital e até às 10h40 o volume total desde o dia 17 de agosto já superava em 143% a marca histórica dos últimos 40 anos, segundo o meteorologista Natálio Abraão. Em todo o período foram 93,6 milímetros sendo que a média de quatro décadas é de 38,1 milímetros.
O Midiamax esteve no Bairro Dom Antônio, onde a falta de escoamento da água transformou a entrada da casa de Seo Valdomiro Nunes, 70, na Rua Pedro Dibe, em uma lagoa.
“Tinha que ter uma saída para essa água que já está aqui na minha porta”, mostra o idoso enquanto faz a limpeza do quintal.
No Centro da cidade há pontos alagados pelo entupimento de bueiros causado pelo hábito de jogar lixo na rua.
A temperatura mínima marcada hoje em Campo Grande é de 17.2ºC (3 horas) e a máxima está prevista para 26ºC às 15 horas. A umidade saltou de 22% para 95%. “O inverno é a pior estação do ano porque o tempo é muito seco e a baixa umidade causa problemas respiratórios, de pele, nos olhos. Com a umidade melhora. O que acontece agora com essa chuva tem a ver com o fenômeno El Niño”, explica o meteorologista.
El Niño
El Niño - fenômeno pelo qual a mudança de temperatura da água no Pacífico afeta o clima em todo o mundo - pode modificar o padrão normal do clima em muitas regiões, provocando seca em alguns lugares e fortes tempestades em outros. Quando ocorre, inicia-se nos meses de setembro ou outubro, por volta do mês de dezembro a costa do Peru recebe as águas aquecidas. A nomeação de El Niño se dá pelo fato de seu início coincidir com o Natal, estabelecendo uma relação com o Menino Jesus.
O El Niño traz problemas para os pescadores peruanos, tendo em vista que o aquecimento das águas do Pacífico reflete na diminuição da piscosidade oriunda da corrente de Humboldt, que influencia diretamente a costa do Peru e do Chile.
Esse acontecimento climático resulta em alterações no clima, como, por exemplo, no regime das chuvas em diversos pontos do planeta. Apesar de se conhecer suas consequências, ainda sabe-se muito pouco acerca de sua origem e causas. Atualmente, há muitas teorias que tentam explicar o surgimento do fenômeno, mas sem nenhuma comprovação contundente.
No ano de 1982 esse fenômeno foi intensamente anunciado nos meios de comunicação. Um ano depois, a temperatura das águas do oceano Pacífico atingiu 5,1°C, aquecimento atípico. Apesar dessa atuação do El Niño ser considerada a mais forte já registrada, estudos contemporâneos indicam que as manifestações nos anos de 1972/73 foram mais ativas do que as ocorridas na década de 80.
Houve uma manifestação do El Niño em 1997, com o aquecimento das águas no mês de outubro. No ano seguinte, 1998, as águas do Pacífico atingiram 4°C de aquecimento anormal, o que consolidou o fenômeno, que apresentou uma força comparada a da década de 70.
Sua atuação promoveu mudanças efetivas no regime das chuvas, por essa razão houve períodos rigorosos de seca nos Estados Unidos, sudeste do continente africano, Indonésia, Austrália e América Central. Em contrapartida, houve precipitação além do normal nos países europeus mediterrâneos, no oeste da Índia e sul do Brasil.
No território brasileiro os reflexos do El Niño foram percebidos em diversos pontos do país, com destaque para a rigorosa estiagem que castigou a região Nordeste e as enchentes na região Sul, incluindo ainda a diminuição nos índices pluviométricos da região Norte, provocando secas e incêndios, como aconteceu no Estado de Roraima em 1998, quando o fogo devastou pelo menos 15% de seu território. (Com: brasilescola.com)