Estudo da Funai chega a áreas particulares daqui a dois meses, diz MPF
Celso Bejarano Jr.
Técnicos da Funai devem primeiro examinar o território já habitado por índios aqui em Mato Grosso do Sul. Depois disto, daqui uns dois meses, o estudo antropológico que vai indicar o tamanho do território indígena avança sobre as áreas ocupadas pelos fazendeiros. É o que disse hoje, em entrevista a TV Morena, o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida.
A pesquisa sobre a extensão das tribos indígenas, anunciada um ano atrás, é contestada pelas organizações ligadas aos produtores rurais.
Tanto que a classe moveu ação contra o levantamento, ganhou a causa, mas num último manifesto judicial, desta semana, o TRF (Tribunal Regional Federal) mandou que a pesquisa fosse realizada. Os produtores prometeram recorrer da decisão logo.
A ida dos produtores até a justiça provocou insatisfação no MPF (Ministério Público Federal). Isto porque, segundo o órgão, assim que o processo da demarcação das terras indígenas passou a ser debatido, ano passado, em Brasília, produtores rurais e as autoridades federais assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). E, pela interpretação do MPF, os produtores quebraram o acordo ao recorrerem à justiça contra a pesquisa.
Por conta disto, duas semanas atrás, aqui em Campo Grande, o MPF anunciou num seminário que não ia mais tratar das demarcações com a classe produtora.
Já produtores sustentam que o estudo da Funai pode mexer em ao menos 26 dos 78 municípios de Mato Grosso do Sul. Eles acreditam que isto prejudicaria a economia do Estado, já que a área em questão responderia por cerca de 30% da produção agrícola do Estado.
Para o MPF o cálculo dos produtores “é uma ilação”, deixando a entender que a pesquisa da Funai deva mexer num pedaço de terra bem menor do que o estimado pelos fazendeiros.
Os produtores contam com a ajuda da bancada ruralista estadual que já preparou uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional). Se aprovada a ideia o governo federal terá de pagar uma indenização aos produtores rurais expropriados. Isto é, a União teria que pagar pelas fazendas que podem ser transformadas em aldeias indígenas.
Comentários (6)
30/08/2009 16:59
carla1_m@yahoo.com.br
carla1_m@yahoo.com.br
Senhor procurador faz jus aos direitos existentes na CF/88 ,a sociedade agradeça, pois nossa consituição não é apenas um livro qualquer e sim nossa Lei Maior,onde esta assegurados nossos direitos e deveres!
30/08/2009 14:22
Clara Duran Leite
claradlluz@yahoo.com.br
Historicamente as áreas em questão pertencem ao povos índigenas, que foram expropriados de seus espaços, confinados em áreas reduzidas e utilizados ccomo mão-obra "escrava" por latifundiáris e produtores de cana. E tem "fazendeiros" afirmando como "dói de nossa terra sem indenizações" E vocês perguntaram aos indigenas se sentiram dor de sair de sua terra, deixar seus cemitérios sagrados e sua culturam quando literalmente os expropriaram de sua própria terra e pior sem indenizações.
Clara Duran, Mestre em História e professora Universitária
29/08/2009 00:08
Sebastião
sebastiaosanttos@yahoo.com.br
ESSE TAL PROCURADOR É PAGO COM O DINHEIRO DE QUEM PRODUZ O SUSTENTO DO PAÍS E RECOLHE ABSURDOS DE IMPOSTOS.É MANDADO PELO GOVERNO PARA ATERRORIZAR OS PRODUTORES.É HORA DE ATITUDES,VAMOS TOMAR ATITUDES MAIS FIRMES CONTRA ISSO.
28/08/2009 17:10
Jose
conreta@terra.com.br
Adriano, perfeito o teu entendimento. Endendo que voce tambem inclua como merecedores desta tua defesa, um sem numeros de proprietarios rurais, que adquiriram e tem como seu unico patrimonio as propriedades rurais que em sua maioria foram escrituradas pelo nosso estado do Brasil. O que fazer com que de boa fe, fez da propiedade rural seu unico e real ganha pão? E muito poetico ne ?? Se tem alguem em lugar errado, nao e quem de boa fe, repito, tomou todo um patrimonio de uma vida em algo que simplesmente vira po. A coisa e mais complicada.Do outro lado tambem tem cidadões honestos que merecem o igual respeito que e dado ao indio. Repito, se alguem errou, nao são os sem numeros de brasileiros que estão a decadas produzindo o pão que poetas poem diariamente nas suas mesas.
28/08/2009 16:04
Adriano da Silva Souza
adriano_ssouza@hotmail.com
Grande vitória do MPF - e da sociedade,
Esse Órgão sabe que a defesa dos direitos indígenas não representa apenas o esforço de superação da primeira das grandes violências da nossa história, mas uma condição político-moral para enfrentarmos as demais violências que praticamos entre nós.
28/08/2009 09:22
silvana
silvanammm@hotmail.com
questão complicada essa de demarcação, nao é dando terra pra indico que vai resolver o problema deles, eles são cidadão brasileiro, merece nosso respeito, mas o que tem que ser feito e acabar com a tutela do indio, e que ele tenha condição de comprar quantas terras ele puder cuidar, dar terra e ver o que acontece nas atuais aldeias, ainda mais se tratando de de fronteira e um total absurdo que partiu de nosso analfabeto presidente.