Um dia depois do governador André Puccinelli (PMDB) tê-lo comparado a uma "fruta podre" quando deixava evento na Mace em Campo Grande, o ex-governador Zeca do PT contra-atacou em sua página no microblog Twitter.
“O desequilíbrio do André, é o medo de ficar sozinho, pois não tem parceiros, nem amigos, só aceita viver cercado de serviçais”, disse em mensagem postada a poucos minutos na página.
A provocação de André a Zeca na tarde de ontem foi, na verdade, uma resposta ao questionamento da imprensa sobre o fato de o petista ter dito em evento de seu partido na última quinta-feira, dia 10, que não está à venda e que, em hipótese alguma, recuará de sua candidatura ao governo no ano que vem. “Ninguém compra fruta podre”, respondeu André.
Rivais históricos, André e Zeca caminham para um novo e esperado confronto desde as eleições de 1996 quando, o petista perdeu a prefeitura de Campo Grande para o hoje governador pela diferença de 411 votos.
Via Twitter, Zeca classificou a declaração de André como um surto. Disse que o governador quer iniciar o jogo da sucessão apelando para baixaria “porque não está preparado para o debate qualificado que a população quer”.
“Dá sinais de que está cada vez mais desesperado porque sabe que minha candidatura não tem volta. È irreversível”, escreveu.
Ainda no Twitter, Zeca disse que André não admite ser contrariado por conta de sua natureza autoritária. “Quando me ataca demonstra todo seu despreparo, seu autoritarismo de quem não é capaz de conviver com o contraditório....”, avalia.
No evento de quinta-feira, realizado na Fetems (Federação dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul), Zeca do PT deu uma pequena mostra de como pretende fragilizar seu maior adversário.
Disse, por exemplo, que aposta no ‘voto do chifre’. A expressão criada pelo próprio ex-governador nada mais é, segundo ele, que o voto de cabos eleitorais de André Puccinelli. “A máquina não me assusta, eles vão pegar o dinheiro do André e votar em mim. Esse é o voto do chifre”, afirmou.
André bem que tentou evitar o confronto com o PT. Propôs por diversas vezes que os petistas de Mato Grosso do Sul o procurassem para tratar de uma aliança. Não deu certo. A maioria do partido resiste em se aproximar do peemedebista.
O governador tinha esperanças de que o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva “enquadrasse” (expressão que André usava) o PT no Estado. André defendia que os dois partidos se unissem em um mesmo palanque para apoiar a possível presidenciável do PT, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff por quem André demonstra estima.
Além da rivalidade histórica, os petistas e André teriam dificuldades em se entender sobre o espaço na chapa e no governo do peemedebista. O governador chegou a propor a aliança em troca de uma vaga ao Senado e espaço na chapa proporcional (de deputados). Oferta que os petistas consideraram uma afronta.
O contra-ataque à proposta foi em tom de piada. Disseram que a aliança entre PMDB e PT até era possível se André concordasse em concorrer ao Senado e apoiasse Zeca para o governo.
“Estão querendo comprar uma Ferrari pelo preço de um calhambeque”, retrucou o governador que depois disso, pelo menos publicamente, não fez qualquer novo oferecimento aos petistas.
André que chegou a sonhar em ser candidato único ao governo no ano que vem ainda mantém diálogo com as lideranças nacionais ligados a Lula. Nesta semana, informou que tenta uma nova agenda com Dilma Rousseff, em Brasília, para tratar, segundo ele, “de tudo”, ou seja, devem estar na pauta assuntos administrativos e política.
Hoje, André Puccinelli, segundo sua assessoria não tem qualquer agenda pública e descansa em casa com familiares. Zeca do PT também passa o sábado com a família e festeja os aniversários da filha e do genro.