O governador André Puccinelli, do PMDB, garante que não vai apoiar a candidatura da ministra Dilma Russef (Casa Civil) se o ex-governador Zeca do PT resolver enfrentá-lo na eleição do ano que vem. “Sou cristão e monogâmico”, disse Puccinelli em entrevista publicada na edição de hoje do jornal Folha de São Paulo.
De acordo com o jornal, o Planalto não se opõe a um acordo pela reeleição de Puccinelli, mas Zeca insiste que “o palanque da Dilma já está montado no PT”, com o apoio da Executiva estadual.
"O PT quer ter candidato próprio e eu quero ser candidato. Portanto, está montado o palanque. Se o André [Puccinelli] vai apoiar a Dilma ou não vai, é um problema do PMDB, não nosso", disse Zeca.
O ex-governador disse que PT local não vê "nenhum problema" na possibilidade de Dilma subir em "dois, três ou cinco palanques" da disputa estadual.
Ainda segundo o jornal, Zeca afirmou que, independentemente de sua candidatura, seria "suicídio político" uma aliança com o PMDB local. "Nós entendemos a importância de uma aliança com o PMDB nacional, mas aqui nós temos uma polarização muito forte, que vem desde 1996."
Outro motivo, disse Zeca, é a "posição dúbia" de Puccinelli. "Eu já disse isso ao presidente: a mão que o afaga quando o senhor vai ao Estado é a mesma que depois apedreja o PT."
Sobre o assunto, Puccinelli disse avaliar que o Estado tem sido "relativamente bem atendido pelo presidente e a ministra Dilma" e que não tem motivos para "brigar com o Lula".
"Eu estou tal qual um noivo, com um cravo branco na lapela, o branco simbolizando a paz, no altar esperando a noiva. Se me rejeitarem, o que posso fazer? Aí eu não sei se apoio o Ciro, se apoio o Serra, se apoio o Aécio, se apoio a Marina."
Leia trecho da entrevista de Puccinelli publica na Folha de S. Paulo desta segunda-feira.
Com uma candidatura de Zeca do PT em MS, como fica a aliança entre PT e PMDB para a disputa presidencial?
PUCCINELLI - Lula veio em janeiro e disse: quero o PMDB junto comigo. Dilma, quando se encontra comigo, diz que quer o PMDB. Eles [PT] que devem ficar preocupados.
Para o ex-governador, a aliança local entre os partidos seria suicídio.
PUCCINELLI - Essa disputa acirrada foi só contra ele. Eu me relaciono muitíssimo bem com o senador Delcídio [Amaral] e com a maior parte dos deputados do PT.
Zeca diz não se importar em "dividir" a candidata.
PUCCINELLI - Ele não tem problema com isso, mas eu tenho. Não estou pedindo para ele deixar de ser candidato. Agora, se ele for candidato e oferecer o palanque à Dilma, eu não aceito. Eu disse que sou cristão e monogâmico.
Num cenário com Zeca na disputa, quem seria seu candidato a presidente?
PUCCINELLI - A prioridade absoluta é a Dilma. Se me rejeitarem, o que posso fazer? (com informações da Folha de São Paulo).
Consenso
Já o deputado estadual Amarildo Cruz, presidente do PT local, disse ao jornal que a decisão de lançar candidatura própria ao governo "é consenso" no partido desde o início do ano. Segundo ele, não houve contestação em instâncias superiores.
Outro petista de Mato Grosso do Sul que considera inviável o caminho para um acordo com o PMDB no Estado é o senador Delcídio Amaral. Ele disse considerar que a "aliança já passou do ponto".
"O momento já passou e o PT local está unido. Na minha opinião, não dá mais para reverter", disse Delcídio, que disputará a reeleição em 2010 e afirmou que apoiará Zeca, um antigo desafeto. "Tivemos muitas diferenças, mas, no momento em que ele se coloca como candidato, é nossa obrigação trabalhar para elegê-lo." (Com informações da Folha de São Paulo).