A partir da semana que vem, de 9 a 20 de dezembro, de quarta-feira a
domingo, a rua de paralelepípedos Dr. Ferreira, da vila dos ferroviários
de Campo Grande, terá movimentos que não só os do cotidiano de seus
moradores: o Coletivo Corpomancia apresenta o espetáculo de dança na casa 169.
O processo de montagem partiu de experiências sensoriais dos integrantes
do coletivo no complexo ferroviário com visitas a prédios abandonados e
conversa com vizinhos e ex-ferroviários. Pesquisas em documentos
históricos e teorias dos estudos culturais também foram dando estímulos para que o roteiro fosse montado relacionando o abandono e o olhar para a própria
história. Em uma cidade de mudanceiros, por vezes o que temos
em comum acaba se dissolvendo em meio a tantos “arquipélagos”.
O verbal foi se transformando em narrativa composta por cenário, figurino,
trilha sonora, coreografias a partir de roteiro criado pelos também
intérpretes Ana Maria Rosa, Franciella Cavalheri, Júlia Aissa, Luiza
Rosa, Paula Bueno e Yan Chaparro. Um produto criado coletivamente, com
responsabilidades atribuídas a atividades específicas, sempre em diálogo
com o todo. Houve a contribuição de Mary Saldanha (figurinos), Maíra
Espíndola (cenário e iluminação), Jonas Feliz (trilha sonora), Werther Fioravanti(produção e operação de som), Carol Araújo (produção e
divulgação).
Sem a pretensão de representar as histórias do local, o espetáculo
sugere sensações, reflexões, imagens que precisam do espectador para completar
seus sentidos. Estará ambientada em uma casa construída no início do século
XX para trabalhadores da antiga NOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil),
tombada recentemente como patrimônio histórico nacional, com cômodos que
não atendem a amplitudes comparáveis a das salas de teatro. Portanto, público
e artistas irão conviver com mais proximidade no desenvolvimento do
espetáculo com o limite de 10 pessoas por sessão.
Os ingressos serão vendidos na barraca Aparecida, na área de
alimentação da Feira Central e também pelo telefone 9262.3335 (Carol Araújo).
A casa foi cedida para locação pelo professor do curso de jornalismo da
UFMS, Edson Silva, que também tem relação estreita com a história
daquele local: nasceu em uma “estação de mato” da Noroeste do Brasil, é
filho de ex-ferroviário e vem desenvolvendo pesquisas em conjunto com seus alunos,registrando relatos de ex-ferroviários e situando a importância do
ambiente da ferroviária para definição de traços e rumos tomados durante o
desenvolvimento de Campo Grande.
Este é o segundo espetáculo elaborado pelo Coletivo Corpomancia. Foi contemplado pelo Prêmio Funarte Klauss Viana de Dança ? 2008, uma parceria entre Fundação Nacional de Artes e Petrobras. Sua primeira experiência em criação coletiva foi o jogo-espetáculo ?Corpomancia: um jogo de dança em cena, apresentado em festivais e mostras no estado e, mais recentemente, na Bienal de Dança de Santos (novembro de 2009).
Para mais informações sobre o espetáculo e sobre seu processo de
elaboração, visite o endereço www.corpomancia.com.br.