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Geral

07/02/2010 14:40

Água é produto raro em bairro de Dourados que espera pela Funasa

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Nicanor Coelho, de Dourados


A água potável é um produto raro para os moradores mais pobres da Sitiocas Campo Belo que não tem dinheiro para furar um poço que eles chamam de “mini-artesiano”.

Enquanto as famílias esperam que a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) cumpra a promessa de implantar a rede de água a solução paliativa encontrada pela Prefeitura de Dourados foi a contratação de um caminhão pipa por um período de três meses que deve expirar em 23 de março. Se até esta data a Funasa concluir o processo licitatório para o início das obras, moradores como a dona-de-casa Terezinha Nobre da Cruz, contarão apenas com a ajuda de vizinhos mais abastados que contam com poços profundos em suas propriedades.

Terezinha que vê nobreza apenas em seu sobrenome todos os dias é obrigada a caminhar quase um quilômetro para buscar água numa chácara vizinha. A dona-de-casa há dois anos mora na Sitiocas Campo Belo e sempre sofreu com a falta de água. “Sou obrigada a buscar água em cinco garrafas pet para beber e fazer comida”, disse Terezinha que usa a água barrenta e salobra de seu poço para tomar banho.

"Eu mais dois filhos adultos e dois netos tomamos banho de lama todos os dias”, reclama a moradora. Terezinha diz que o caminhão pipa está levando água para encher as caixas d água dos moradores, mas lamenta que não seja suficiente.

 “O que ganhamos mal dá para comprar comida e pagar a conta de lua”, disse a dona-de-casa que sonha que um dia ainda vai ter dinheiro para construir o seu próprio poço mini-artesiano, como os vizinhos que tem mais condições financeiras. Segundo especialistas o poço mini-artesiano também chamado de “mini-poço” teve este nome criado para “concorrer com os poços artesianos ou semi-artesianos, mas que não passam de um sistema de seis polegadas com profundidade de quatro a quarenta metros”.

DINHEIRO DO PAC A Funasa ficou de investir cerca de R$ 419.987,55 do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para implantar a rede de abastecimento de água na Sitiocas Campo Belo e também no bairro Sitioca Campina Verde também vive o mesmo dilema. No dia seis de setembro do ano passado foi assinada a autorização de licitação para a implantação da rede nestas duas sitiocas.

A obra para ser realizada pela FUNASA contaria com contrapartida do Governo do Estado e como não saiu do papel os moradores continuam vivendo com a escassez de água. Enquanto isso a saída é viver com a água servida pelo caminhão pipa contratado pela Prefeitura.

Como dinheiro desta licitação a FUNASA teria que perfurar poços, instalar reservatório de água e implantar 9.432 metros lineares de água para beneficiar 208 famílias já cadastradas.

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