Mais de mil famílias sem terra pretendem ocupar esta semana a fazenda Campanário, de
15 mil hectares, no município de Bodoquena, a 273 km da Capital. Trata-se de uma
propriedade, segundo Geraldo Teixeira, presidente da Fetagri (Federação dos
Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul) que está hipotecada devido a uma
dívida superior a R$ 10 milhões.
De posse de uma certidão do cartório do 1º Ofício de Campo Grande, em que consta a
penhora da propriedade por conta da dívida, o presidente da Fetagri encaminhou
ofício ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) pedindo
vistoria e desapropriação da área para fins de reforma agrária. O documento foi
protocolado no órgão no dia 22 de janeiro.
"Solicitamos que a área seja vistoriada de imediato e seja destinada às famílias de
trabalhadores rurais acampadas, que esperam há muito tempo serem contempladas com
uma parcela de terra do programa nacional de reforma agrária, pertencentes a esse
movimento", argumenta, no ofício, Geraldo de Almeida ao superintendente regional do
Incra, Waldir Cipriano do Nascimento.
De acordo com o presidente da Fetagri, a propriedade está improdutiva há muito
tempo. A proprietária, segundo ele, mora em Joinville - SC. As famílias que deverão
se dirigir à fazenda são do próprio município e também das regiões de Miranda,
Bonito, Jardim, Cipolândia e Ponta Porá.
Geraldo informou também que as famílias pretendem plantar feijão na propriedade que
é formada por "terra de primeira". Segundo ele, a produção da região é de 40 sacas
de feijão por hectare. "Esperamos que o Incra desenvolva logo o trabalho de
desapropriação da fazenda para o assentamento das famílias", comentou.