Uma fã soube que o cantor Délio estava internado no Hospital Alfredo Abrão, foi até lá e insistiu para vê-lo. Eram seus últimos momentos de vida. A família preferia poupá-lo, mas ele ouviu dizerem que uma fã aguardava no lado de fora e mandou que deixassem-na entrar.
Quem conta é a esposa de Délio, Olanda Roque, de 53 anos, com quem ele foi casado por 30 anos, após se separar de Delinha. Esse gesto encerra a carreira de sucesso de um artista que sempre se identificou muito com o público. Délio esbanjava alegria, sentia-se revigorado com o assédio dos fãs, conta o filho João Paulo Pompeu, 40 anos.
Foram nove dias internado no Hospital Alfredo Abrão, após 14 anos de luta contra o câncer, que primeiro afetou a bexiga, depois reapareceu no pulmão. Ao pressentir que estava no fim da vida, Délio fez um pedido à esposa: “Meu bem, eu vou morrer, por favor, quero ir para nossa casa”.
Olanda sente não ter realizado o último desejo do marido. Acabou morrendo no hospital, às 17h de ontem (8). Seu velório se transformou em concorrido evento cultural, a todo instante chegam músicos, cantores, promotores culturais, coroas assinadas por políticos. A cidade capricha no adeus ao Sol.
A música que marcou a carreira da dupla Délio e Delinha é um exemplo de que a arte não envelhece, ressalta a produtora cultural Soraia Salle. Suas netas, de 9 anos de idade, cantam O Sol e a Lua com o gosto de quem descobriu o que há de mais novo na música.